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Livro Memórias Resistentes, Memórias Residentes

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A cidade é, por excelência, o local do encontro, onde relações humanas se estabelecem. Teias e conexões se dão na cidade. Ela é também o lugar privilegiado da produção e do consumo, do choque de desigualdades, dos deslocamentos constantes. É, portanto, palco de convergências e de conflitos políticos. Por isso mesmo, a cidade é viva, com suas múltiplas faces e seu dinamismo incessante.


Diariamente passamos por lugares carregados de simbolismos e significados diversos, que guardam imenso potencial histórico. A maior parte dessas memórias, embora muito vivas nas mentes de quem as vivenciou, não é necessariamente evidente para o restante da população. Trata-se de uma memória latente e potente, mas muitas vezes fragmentada. No entanto, quando o olhar para a cidade se propõe a conhecer os processos históricos que ali se desenrolaram, é preciso alinhavá-las e recuperar o seu sentido coletivo.


Isso se torna particularmente relevante para compreender os períodos de autoritarismo e de graves violações aos direitos humanos. As atrocidades praticadas pelo Estado contra seus cidadãos não são apenas individuais, mas também coletivas, pois afetam o ser humano em sua dignidade e em suas necessidades mais fundamentais. Para enfrentá-las, é necessário um esforço de construção ou de ativação da memória coletiva, de elaboração social dos traumas e de compreensão dos mecanismos que permitiram a barbárie. Afinal, essa memória não é apenas das vítimas, é de todos nós. E o direito a acessá-la deve ser assegurado pelo Estado, em todas as suas esferas.


No Brasil, passados mais de trinta anos do fim da ditadura civil-militar, ainda processamos com dificuldade a memória desse período sombrio, sobre o qual resta muito a conhecer e a revelar. A cidade de São Paulo foi marcada pela intensa resistência dos movimentos sociais, estudantis e de trabalhadoras/es para fazer face aos abusos sucessivos do regime e, consequentemente, por uma repressão ostensiva que perseguiu e assassinou quase um quarto de todos os mortos e desaparecidos políticos registrados oficialmente no país. Como tal, evidentemente está repleta de lugares que podem nos contar essas histórias e permitir um mergulho no passado recente do município, que ainda permanece como um quebra-cabeças a se completar. A exemplo do que fizeram outros países que viveram períodos autoritários, precisamos conhecer e reconhecer esses lugares, revisitá-los, ressignificá-los e fazer deles locais do exercício pleno da democracia e de construção da memória coletiva.


É nesse marco que surge a presente publicação, produzida pela Coordenação de Políticas de Direito à Memória e à Verdade da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo - CDMV e pelo Memorial da Resistência. Seu objetivo é convidar todos os moradores e visitantes da cidade para um percurso pelos diversos locais que serviram como palco tanto da repressão praticada pela ditadura civil-militar como da luta de resistência contra o regime autoritário.

Contracapa do Livro Memórias Resistentes, Memórias Residentes

 

Nossa intenção não é esgotar as possibilidades descritivas de cada localidade, nem oferecer uma visão estática desses locais no passado, mas sim registrar as diversas camadas históricas que eles carregam e transitar pelos diversos usos que lhes foram e são atribuídos até hoje. Queremos aguçar a curiosidade dos leitores a partir de relatos dos chamados resistentes, captados ao longoe uma vasta pesquisa conduzida pelo Memorial da Resistência, incentivando-os a visitar esses espaços e a aprender mais sobre cada um. A ideia é convidar para um passeio subjetivo a partir desse olhar. Para além dos significados e sentidos arquit

etônicos, destacamos o patrimônio imaterial que cada edifício carrega e que se concretiza na memória dos que por ali passaram.


Vale registrar que tampouco é nossa pretensão abarcar todos os lugares de memória disponíveis na cidade. São Paulo apresenta uma infinidade de possibilidades históricas, cuja compreensão requereria muito mais tempo e recursos. Tal seria o caso dos centros de imprensa alternativa, muitos deles clandestinos, espalhados pela cidade e que até hoje permanecem desconhecidos. Ou o Sítio 31 de Março, nos limites de Parelheiros, ainda tão obscurecido. Ou então todos os lugares onde se organizou a resistência feminina à ditadura. Diante das alternativas ao nosso alcance, decidimos nos ater ao levantamento realizado pelo Memorial, adaptá-lo a uma linguagem jovem e acessível ao grande público, dar-lhe mapas e cores e lançá-lo ao mundo para que ganhe vida própria. Esses novos sítios ficam como um desafio para futuras investigações ou edições desta publicação, que é apenas um primeiro passo a desvelar o véu que ainda cobre muitos dos lugares de memória da cidade.


O livro faz parte de um dos eixos centrais da CDMV, dedicado aos lugares de memória, que se propõe, primeiramente, a reconhecer e valorizar a memória de todos os que lutaram por uma sociedade mais justa e igualitária. Graças a quem os fatos que as estruturas oficiais tanto tentaram esconder puderam sobreviver ao esquecimento e, finalmente, ser publicizados. Em segundo lugar, esclarecer àqueles que não necessariamente viveram esse período, os acontecimentos que marcaram a cidade e cujos efeitos estão presentes até hoje, como heranças perversas do despotismo.

 

Reconhecer a história que esses locais guardam é construir a memória coletiva da cidade. Esse olhar crítico para o passado é fundamental para uma melhor compreensão do presente e para vislumbrar um futuro no qual os mesmos erros e violações não se repitam.

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Bom passeio!

 

 

 

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